terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Relatos da babilônia atual

Manhã do sexto dia:

Ele gritou como quem recita as ultimas preces:
_Eu vou voltar, eu vou voltar, eu vou voltar onde isso tudo começou!!!
Minha mente nublada assimilava o delírio do amigo em queda, e percebi que eu também tinha que voltar.

A noite trazia seus próprios pesadelos, o asfalto molhado, escorregadio, o carro em alta velocidade, era como dar adeus a vida a cada curva, eu amei isso, não tenho medo, não tinha medo.

Deus salve-me, ouvia-se na musica o seu refrão: “god relp me!”. O telefone desligado do outro lado da linha, prenunciava a morte do que a muito era amor, as ruas em labirinto, uma única fuga, procurava no rosto de menina uma saída, mas não havia saída, nunca ouve.

_Até quando...Até quando!!!
O telefone toca apresentando mais um apocalipse, as margens de qualquer anuncio vibra a desilusão ao alcance da salvação, não é ela, a voz doce que esperava ouvir não veio. Ela foi perdida pra nova babilônia, anuncia a voz em pranto.

_Ela deixou o mal fazer morada!!!
A cada grito o giro do motor aumentava, as coisas passavam cada vez mais rápido, em mim a dor inseparável, amiga constante, destruidora do prazer, ódio contra a babilônia que fazia outra vitima.

O carro parou a tempo, mas nada dentro de mim parou, a dor não sei foi...


Thiago Mendes

08/12/2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Quarto dia, tarde

Pensar o quanto esquecer e seguir em frente é difícil pra mim, e que é o mais certo a fazer, e que é hora de parar de lamentar, levantar, sacudir a poeira e os rastros, me dói só de escrever, escrevo sem intenção de que alguém possa ler, não me importo também, agente vai aprendendo a deixar de importar com o que tanto nos importa, importa hoje talvez amanhã não. Andei na chuva um pouco, me faz bem, acalma a alma, mas não apazigua a dor, infelizmente é o que é, e agente vai aprendendo a deixar ir, se a pessoa quer ir, que vá, é a eterna dança das coisas. Acredito no amor, não esse de novela barata da globo, não acredito nos casais nas esquinas, pequenas falsificações, e já disseram que eu exagero. Não sei que tipo de amor que as mulheres querem, só se que é do tipo que nunca vai dar certo, anseiam pela aquela angustia aflita do querer o outro, é mais doença do que qualquer outra coisa, cansei da chuva, e to bem, to ficando bem.

Thiago Mendes

06/12/2009

Quarto dia,manhã chuvosa,

Vem um peso algoz, cruel
Pega-me na hora imprecisa,
De uma dor que eu não queria
Chuva amarga de dor instável.

Solidão minha amiga feroz,
Me ensina as coisas dessa vida
Há peso demais neste existir,
Estou enterrando o meu algoz.

Prazeres de uma possível morte me acaricia,
Não tenho medo, tenho medo da vida,
Que de sangue é escorrida.
Ô grande criador, apaga minha memória dessa lida.

Encosta desgostos, desgostosos de o ser,
Na vida quem busca, busca prazer,
Nem mais isso me assassina.
O fonte de dor o que ainda vais me trazer?

Assopra um vento frio dessa chuva,
Lava minha alma assoprador desse terror.
Me afoga pelo menos, para que eu morra e não sinta mais dor.
O que fizeste o filha do mundo, anjo da morte de mãos de luva?

Onde estas?
Onde estou?
Vais embora?
Não pra sempre aqui estas.

Tenho medo senhor,
Por favor alivia essa dor.
Mordo os lábios de desejo,
Só desejo um beijo.


Thiago Mendes

Terceiro dia, não deixo de lembrar

O ciúme é pior do que a sepultura,
Cruel como a vida dura.


Thiago Mendes

Segundo dia, o dia todo

A calma me mata a alma,
O trabalho me fuzila o corpo.
O que dirias se não mais me ver?
Não me amas é melhor desaparecer.

Só montanha atrás de montanha,
Ô Deus me mata dor tamanha.


Thiago Mendes

Primeiro dia... tarde

Socorra-me, dói no peito quero morrer,
Quero sentir a límpida alegria de existir.
Quem diria que seria assim?
Volta vem pra mim!

Corrói o corpo não te sentir.
Pra onde foi o gosto de tua pele?
Me atrofia os sentidos,
Me embrutece o consentir.

Melhor assim?
Não melhor me afogar,
Me matar lentamente no lamento,
Ô Deus bate forte esse vento.

Pra onde irei?


Thiago mendes

domingo, 13 de setembro de 2009

Dor nas saudades.




Dor que está em tudo,
Vaga luz de sombra que esperneia pela noite,
Terror noturno com soturno prazer.
Vazio cambaleante, estúpido terror.

Que, faço eu de ti dor?
Como desacelerar seu compasso dançante?
Desencadear as cadeias de tua liberdade?
Que faço eu diante do teu inóspito horror?

Brilha estrela que morre,
Sonhe menina que corre,
Pense que pode com as mãos,
Voltar no tempo onde a liberdade era seu confrontador.

Sentes saudades?
Elas são o ultimo suspiro deste momento nauseante,
Dessas sombras dançantes de memória,
Hoje mulher elas são seu ditador.

Thiago Mendes